Ômega 3
reduz lesões por esforço
Unicamp pesquisa efeitos antiinflamatórios do ômega 3 em atletas.
Suplementação alimentar pode reduzir lesões por atividade física intensa.
Campinas - Uma suplementação diária de dieta com ômega 3 e vitamina E
pode livrar atletas das freqüentes lesões musculares, causadas por atividades
físicas intensas. Ou, pelo menos, amenizar as lesões de forma significativa,
reduzindo o uso de fármacos antiinflamatórios, que possuem vários efeitos
colaterais potenciais. Este é um dos principais resultados de uma série de
pesquisas em Bioquímica Nutricional de Lípides, conduzidas na Faculdade de
Engenharia de Alimentos da Universidade Estadual de Campinas (FEA-Unicamp),
sob orientação de Admar Costa de Oliveira, engenheiro químico industrial,
doutor e pós doutor em Bioquímica da Nutrição.
As pesquisas foram iniciadas em 1998 e contaram com a colaboração de dez
atletas, velocistas (competem com velocidade) e fundistas (buscam
resistência), que concordaram em experimentar a suplementação. Atualmente, a
maioria destes atletas foi treinar no exterior, então os experimentos passaram
a ser feitos com ratos, submetidos a esforços semelhantes aos dos atletas, em
tanques e esteiras ergométricas, especialmente preparadas.
“Ao ser submetido a esforços intensos, o organismo, tanto dos ratos como dos
homens, produz naturalmente uma série de substâncias e compostos químicos e
bioquímicos, relacionados às lesões, como protaglandinas, tromboxanos e
algumas enzimas”, explica Oliveira. São substâncias mediadoras de processos
inflamatórios, de estrutura semelhante aos ácidos graxos poliinsaturados ômega
3. A diferença é que os ômega 3 não estimulam processos inflamatórios. Quando
o atleta adota uma suplementação dietética, portanto, o ômega 3 compete com os
outros compostos na síntese bioquímica, mas sem produzir as lesões. Tem sido
usados, em especial, os ômega 3 conhecidos como eicosapentaenóico (EPA) e
docosahexaenóico (DHA).
“O cuidado que devemos ter é com a oxidação, que resulta na produção de
radicais livres (associados ao envelhecimento), por isso estamos estudando a
suplementação de ômega 3 junto com vitamina E, que é o melhor antioxidante
natural existente”, acrescenta o pesquisador. Ele ressalta, também, que a
produção dos outros compostos – genericamente chamados de série 2 ou ômega 6 –
não deve ser totalmente inibida, pois são substâncias importantes para outras
funções do organismo, como controladores naturais da pressão arterial e
mediadores da dor.
“Na verdade, segundo a literatura, a relação entre os ômega 3 e os ômega 6
deve ser de 1 para 5, conforme alguns autores, e até 1 para 10, segundo outros
autores”, observa Oliveira. As pesquisas do seu grupo ainda não chegaram a uma
dosagem dos suplementos para recomendação, mas ele acredita que a ingestão
diária de alimentos, já disponíveis no mercado, contendo ômega 3 e vitamina E
pode ser suficiente para os atletas.
Nestes últimos 5 anos, o trabalho com lípides, na Unicamp, resultou em 4 teses
de mestrado (3 concluídas, uma em andamento) e 6 de doutorado (3 concluídas e
3 em andamento), uma das quais co-orientada pelo especialista em Ciência
Biomédicas, Roberto Carlos Burini, da Universidade Estadual Paulista (Unesp).
O investimento em pesquisa limitou-se, praticamente, às bolsas de mestrado e
doutorado, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
(CNPq) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
(Capes), além do custeio de material de laboratório da própria Unicamp.
Liana John