Parece milagre
Brasileiros
comprovam resultados do programa
americano de dieta e exercícios para mudar
o corpo em doze semanas
Flávia
Varella
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ANTES
E DEPOIS
Acima,
fotos de americanos que aparecem no livro Body for Life,
mostrando como eram e como ficaram após três meses de malhação
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O recurso
é manjado. Para vender produtos e serviços que prometem
revoluções estéticas, nada como incríveis
fotos de antes e depois. Mas, provavelmente, nunca essa estratégia
causou tanto impacto quanto a propalada pelo americano Bill Phillips.
Professor de educação física e dono de um laboratório
de suplementos nutricionais, Phillips montou um programa de dieta
e exercícios que promete transformar corpos gordos e flácidos
em silhuetas de atleta no reduzidíssimo prazo de doze semanas.
Fotos que mostram as mudanças ocorridas nesses três
meses, como as publicadas no alto desta página, aparecem
no material de propaganda de sua empresa, Eas, e no livro Body
for Life, que ele escreveu para difundir o programa. Resultado:
a obra já vendeu 2 milhões de exemplares e o faturamento
anual da empresa ultrapassa 200 milhões de dólares.
Lançado no Brasil há sete meses, Body for Life
e suas fotos impressionantes é o assunto mais
comentado nas academias de ginástica.
"Encarar
a morte" Funciona mesmo? As fotos não são
montagens? Será que a gordinha não fez também
uma lipoaspiração? Aquele rapaz não tomou anabolizantes?
Não foram três anos, em lugar de três meses,
de malhação? Numa academia no centro de São
Paulo, um grupo de professores e alunos resolveu obter as respostas
às perguntas que todo mundo faz. Eles toparam seguir à
risca o plano proposto. Três vezes por semana, fazem sessões
de 45 minutos com exercícios de musculação
em que a idéia é levantar cada vez mais peso, chegando
ao limite do suportável. Nos outros três dias, os exercícios
são aeróbicos, em geral corrida ou bicicleta. São
apenas vinte minutos, mas também de altíssima intensidade.
Nesses seis dias, seguem uma dieta alimentar não muito diferente
dos esquemas conhecidos por quem já tentou perder peso: seis
refeições leves, relativamente restritivas, mas sem
atingir o padrão famélico dos regimes mais drásticos.
O sétimo dia é livre. Pode-se comer o que e quanto
quiser e não é preciso levantar um dedo.
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Álbum de família

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Ricardo Benichio

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Os
colegas de academia ainda não tinham chegado ao fim da 12ª
semana quando as fotos abaixo foram tiradas. Os resultados, como
se vê, parecem milagrosos. Leandro do Prado, de 23 anos, decidiu
seguir o esquema de Bill Phillips porque estava 6 quilos acima do
peso havia anos e seu físico não era um bom cartão
de visitas para um professor de musculação e personal
trainer. Em dez semanas, perdeu 8,5 quilos de gordura e ganhou 4
quilos de músculos. Seu braço aumentou quase 2 centímetros.
Numa medida que os rapazes adoram exibir nas academias, ele agora
arrasa: a dobra cutânea do abdome, que mostra quanto há
de gordura sobrando na barriga, caiu de 27 para 7 milímetros.
Leandro está "rasgado", ou seja, seco e com os músculos
bem delineados. "Exatamente como eu queria", anima-se. Seu colega
de academia, o escrevente Marco Antonio Caffarena, 26 anos, também
está causando furor. Em oito semanas, ele passou de rapaz
franzino, flacidez se espalhando, barriguinha em expansão,
para um "fortão sarado": musculoso, mas sem exagero. "Eu
fazia 32 flexões de braço por minuto, hoje faço
o dobro; empurrava 42 quilos com as pernas, agora, 110 quilos",
gaba-se. "Cada sessão é como encarar a morte, mas,
quando tiro a camisa, acho que vale."
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Álbum de família

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Ricardo Benichio

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O
programa montado por Bill Phillips exige enorme disciplina, mas
não apresenta nenhuma reviravolta mirabolante. Os exercícios
são conhecidos por qualquer pessoa que já tenha feito
musculação sob orientação profissional.
A dieta é baseada em quase nenhuma gordura, carboidratos
controlados, proteína em boa quantidade e água em
abundância. O diferencial que traz resultados tão rápidos
e impressionantes está justamente no ponto em que é
mais criticado por especialistas: a intensidade. "Para quem tem
vida sedentária, começar com nível máximo
de esforço é arriscado para a saúde, além
de ser um sacrifício", diz o especialista Turibio Leite de
Barros. O nutricionista Reinaldo Tubarão Bassit considera
a dieta maléfica porque recomenda a ingestão de muita
proteína e menos carboidrato do que o necessário para
o esforço físico exigido. "Ela pode afetar rins e
fígado e não fornece energia suficiente para a queima
de gorduras e para que a pessoa renda o bastante no exercício",
afirma.
"Lipoaspiração"
Body for Life é um sucesso porque os leitores
e seguidores de Bill Phillips, como a grande maioria da humanidade,
estão interessados em estética e não em saúde.
E porque o autor também é fera em marketing. Há
três anos, ele teve sua melhor idéia. Criou um campeonato
desafiando as pessoas a transformar o corpo radicalmente no tal
prazo de doze semanas. Neste ano, o concurso teve cerca de 500.000
inscritos e vai distribuir 1 milhão de dólares em
prêmios 100.000 dólares
para o grande campeão. Com o concurso, além de lançar
um desafio estimulante para atrair adeptos, Phillips arranjou as
melhores propagandas ambulantes do ramo: homens e mulheres comprovando
que o método funciona. Diante disso, o linguajar primário
do livro, com apelos à "transformação mental"
e outras bobagens, empalidece.
"As
fotos podem criar uma falsa expectativa porque mostram os vencedores,
os casos extraordinários, não a média", diz
Francisco Navarro, professor de fisiologia do esporte e revisor
científico da tradução do livro. "Os que aparecem
nas fotos são predestinados geneticamente a perder peso facilmente
e ganhar músculos. O livro, porém, não fala
que existe individualidade biológica", critica o personal
trainer Irineu Loturco. Outro professor de educação
física, Luiz Galasso, é mais desconfiado. "Alguns
casos têm cara de doping ou mesmo lipoaspiração."
Quem participa do concurso assina um termo garantindo que não
fez uso de anabolizantes e esteróides. Os brasileiros não
tomaram. E mudaram.
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